Evento internacional tem a curadoria e criação do brasileiro Wilmar Silva
Marlene Gandra
marlenecult@hotmail.com
Nos dias 2 e 3 de setembro de 2011, o Projeto Portuguesia levará 40 poetas portugueses e estrangeiros a Vila Nova de Famalicão, em Portugal, para debates não convencionais sobre a literatura experimental que acontece no mundo. O ator e escritor Wilmar Silva conta que a edição em Portugal é bancada pela Câmara Municipal de Famalicão. “O evento acontecerá na Casa Museu Camilo Castelo Branco - edificação onde viveu e suicidou-se o escritor Camilo Castelo Branco (Lisboa, 16 de março de 1825 – 1 de junho, 1890). E tem exclusividade, não podendo ser apresentado em outros países sem o acordo da Câmara. O museu tem como presidente Armindo Costa.”
Sobre parte do Projeto Portuguesia, que custou 100 mil reais, ele explica: “Pesquisei 101 autores de Portugal, Guiné-Bissau, Cabo Verde e Brasil (Minas Gerais), in loco. Gravei com todos eles captando a expressão inovadora. Um CD de videopoemas vem encartado no livro Portuguesia (que é fragmento do amplo projeto). Meu objetivo é atingir todos os países de língua portuguesa.”
Diversos escritores portugueses e africanos estão conhecidos no mundo devido ao emprenho de Wilmar Silva na divulgação incansável. Há meses Luís Serguilha (Famalicão) roda o Brasil lançando o livro Koa’E. Jorge Melícias (Coimbra) também descobriu o Brasil através do projeto. Outro poeta que deixa o público encantado é José Luís Peixoto (Galveias, Portugal).
Biossonoro é o estilo de Wilmar
Na nomeada e experimental poesia biossonora o coração não sente. O cérebro é verbalizado, perspicaz. A linguagem é pintura. Vocábulos desconexos, dessequenciados, pulsos, impulsos. Ouvidos atentos. Poetas degradados se contorcem. Escribas que cantam com as duas mãos simultaneamente. O certo é errado. Os sons não usuais passeiam em células.
O intelectual relata que mesmo com tantas viagens no Brasil e exterior não pode abandonar o processo de criação em meio à turbulência. “O tempo é abstrato. Crio nas pautas. Poesia é cela. Tentativa de nos reumanizarmos. Impossível contagiarmos os outros se não nos integramos de forma visceral. Dramas humanos têm grau de parentesco. Regra existe até onde se concretiza. O poeta não tem pátria. Ele é a antena da raça”, explana o artista dos palcos e palavras.
Wilmar Silva expõe que nossas almas são representadas através de livros. “Acontecimentos da infância são determinantes no decorrer da vida. Relembrar a infância é se relembrar. Somos eternamente crianças. Somos nossa memória. E a criança brinca. Escolhi o alfabeto.”
Terças Poéticas
Há seis anos Wilmar Silva é curador das Terças Poéticas, evento que acontece nos jardins do Palácio das Artes, em Belo Horizonte, Brasil. “Devemos ter inteligência para ocuparmos espaços disponíveis. Nunca recebemos menos de 100 pessoas. Duzentas edições catalogadas. É um público que ouve silenciosamente poesia. Todos os autores são recebidos igualmente, famosos ou não. Foi impossível não se emocionar quando a atriz Maria Fernanda, filha de Cecília Meireles, declamou poemas da sua mãe. O poeta Ferreira Gullar participou das Terças Poéticas logo após receber o Prêmio Camões em 2010.”

Wilmar Silva, domiciliado em Belo Horizonte, nasceu em Rio Paranaíba, Estado de Minas Gerais, em 30 de abril de 1965. Poeta, ensaísta, performer, editor, curador, artista visual e sonoro. Autor dos livros ANU, Estilhaços no Lago de Púrpura, Z a Zero, Astillas en el Lago de Púrpura e Yguarani. Editor da Anome Livros, Prêmio Jabuti/2009. Roteirista/apresentador do programa Tropofonia (Prêmio Roquette-Pinto/2010), Rádio Educativa 104,5 UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).
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